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"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Gosto da expressão “escrever nas entrelinhas”; gosto do seu carácter íntimo e pouco perceptível; gosto que me digam que sou subjectiva, que me tento exprimir através de sinónimos e contrários; gosto que não me percebam. Esta última agora foi estranha, mas é verdade, nunca gostei. Prefiro sentir-me isolada com a minha consciência a que me conheçam sem ser preciso palavras. Quando isto acontece transfiguro-me e passo a ser transparente. Não é uma sensação agradável, primeiro é a vulnerabilidade a atacar-me e depois a capacidade de adaptação a aumentar.
Poucas pessoas me conseguem “encontrar” quando eu me tento “esconder” em entrelinhas. Quem consegue fica capacitado para interpretar as expressões do meu rosto quando algo se passa, ou quando não se passa, também. Basta um sorriso a menos e, no intervalo seguinte, indirectamente, sou sujeitada a responder a perguntas do género “O que se passa? O que é que ele fez?”; é típico e eu já estou habituada.
Quem me dera conseguir “viver” sempre nas entrelinhas, era tudo mais fácil. Poderia dizer sim à amizade e não a tudo o resto, mas não estaria a mentir a mim própria pois, nas entrelinhas tornaria “evidente” o contrário.
Quando chove fico confusa das ideias exteriormente, porque interiormente, encaro a chuva como um catalisador de reacções de limpeza.
A situação agora parece-me mais controlada, no entanto, não me sinto bem com a minha consciência. Provavelmente ainda não saí inteira disto. Devo ter deixado o coração para trás.

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