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"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ele levantou-se, puxou a cadeira para junto da dela e disse:
- Ainda gostas de mim?
Ela, levantando os olhos do livro que andava a ler há semanas, respondeu:
- Este livro é bom. Tens que ler.
- Maria, estou a falar a sério contigo. Precisava de saber...
- Mas porquê? O que é que isso interessa agora? - interrogou ela, mais como uma pergunta interior, dirigida à sua magoada consciência que ainda chorava devido aos estragos que alguém (ele), um dia, havia provocado no seu coração.
- Sempre interessou, mesmo quando eu te disse que não.
- Eu... não, não gosto. Já acabou.
- E se eu te pedisse para voltarmos, como antes...
- Antes? Antes do quê? Antes de me deixares perdida e a culpar-me por tudo, pelo bem e pelo mal; antes de inventares a história "vou afastar-me para que consigas esquecer-me mais facilmente"; antes de tocarmos no fundo (eu principalmente)? É isso que estás a querer dizer?
- Eu amo-te.
- E eu a ti.
- Então fica comigo, para sempre.
- Não. Não vou voltar a cair no mesmo erro. Eu amo-te e és o meu melhor amigo. Nunca me vou afastar de ti, mas o limite da amizade nunca mais vai ser ultrapassado, não contigo.
- Maria...
- Não consigo, desculpa.
Ele, desfeito, pediu-lhe um abraço. Durou muito tempo. O quanto ele adorava o cheiro dos caracóis dela. Poderia ficar ali para sempre, protegido do mundo.

1 comentário:

Anónimo disse...

love you, orgulhão