Ontem foi uma noite agitada, estranha e que eu tinha evitado se soubesse o que se iria passar. Durante o jantar tudo muito bem, completamente normal e com as pessoas do costume. Só fiquei preocupada quando tentei falar com a minha Ana Sofia e notei perfeitamente na sua voz que não estava nada bem. Não consegui ajudá-la tanto quanto queria, pelo telefone. No fim do jantar, chegaste tu. A minha respiração acelerou-se e pronto, o normal. Já nem fiquei nervosa, só assustada. "Olá Maria!" e o teu habitual sorriso fizeram-me voltar à terra. Estavas especialmente bonito (mas sabes bem a minha opinião sobre o teu cabelo). Bebemos café e prontos, Kopus e To Be. Tudo bem, perfeitamente bem (excepto as porcarias de mensagens que recebi a noite inteira daquele estúpido daquele Ricardo, que sinceramente já estava farta... chamei-lhe tantos nomes, tu viste, já não sou assim tão boazinha...).
Posso não demonstrar isso mas adoro ver-te dançar. És super engraçado e desde que te estejas a divertir e a sorrir então está tudo bem para mim. Passaram-se as horas e entre entradas e saídas as minhas "estupidas desconfianças" (merdas!) aumentaram cada vez mais, a insegurança apoderou-se de mim e acreditou naquilo que não vi, acreditei naquilo que mais temia. É uma estupidez, desculpa, desculpa (é praí a quinta vez que te peço desculpa sobre este assunto, não?). Quando foste buscar o casaco ou mexer nele, já não sei (tinha os olhos cheios de lágrimas) achei que ias lá fora, com ela. Fiquei partida, destruida. É um exagero, mas eu acreditava mesmo e tudo apontava para tal.
Sou uma criança, mas dá-me um desconto.
Sou uma criança, mas dá-me um desconto.
Subi as escadas e fui ter com o João. Chorei, chorei um bocado e se não fosse ele e o meu Bichinho, eu acho que tinha vindo para casa Miguel, e acho que ainda agora pensava aquilo*. "Achas mesmo? Não sejas parva, isso são coisas da tua cabeça!". No entanto eu tinha certeza, uma falsa certeza felizmente.
A Ana foi perguntar-te, eu não queria, mas queria. Não queria saber se se confirmasse mas queria saber se fosse mentira. É medo. É um medo igual ao medo de ainda não teres tomado uma decisão para onde vais para o ano, Vila Viçosa ou Estremoz. Tremo só de pensar nisso.
Quando a conversa começou a ser à base de comparações e descrições dos meus sentimentos achei que merecias saber, por mim que tudo ainda continua como há sete meses atrás, que tudo é ainda tão forte e que tu és ainda tão importante. Não tenho medo de te dizer isto, porque te conheço e tu também me conheces e sempre, sempre que falámos de coisas importantes eras compreensivo e entedíamo-nos bem, muito bem até.
O que mais me irritou foi toda a gente a intrometer-se e a meter-se no nosso assunto, no nós.
Grande parte de tudo aquilo é verdade, sim. Falo de ti a toda a hora e com toda a gente até que me mandem calar, deliro quando chega a sexta-feira e te vou ver, basicamente és a minha vida.
No carro do João, senti-te como gostava de sentir para sempre. Senti-te meu amigo, capaz de partilhar os seus medos e sentimentos, sem sequer pensar que alguma vez houve mais que amizade... É só isso que eu quero que volte.
No carro do João, senti-te como gostava de sentir para sempre. Senti-te meu amigo, capaz de partilhar os seus medos e sentimentos, sem sequer pensar que alguma vez houve mais que amizade... É só isso que eu quero que volte.
Agora, depois disto tudo, que eu acho que sempre soubeste, (eu também nunca fui muito de esconder as coisas, tu sabes), gostava que não me voltasses a ignorar. Aquela história do vou-me afastar de ti Margarida, para ser mais fácil para ti e blá blá blá comigo não resulta Miguel, já devias saber. Fizeste-me o mesmo há meses e olha o que aconteceu: só foi crescendo mais e mais.
Só quero duas coisas de ti: que (tentes) ser meu amigo, porque és dos meus melhores amigos e eu gosto muito de ti, muito; e quero que sejas feliz.
P.S. Sou chata, "melga" mas sinceramente gosto que as coisas fiquem claras e bem percebidas. Percebi perfeitamente a tua posição, aliás já a tinha percebido há muito. Acho que ontem é que entendeste bem a dimensão "disto", não foi? ~
Repito-me, só quero que sejas feliz, acima de tudo, com ou sem mim.
Repito-me, só quero que sejas feliz, acima de tudo, com ou sem mim.
*aquilo - episódio para esquecer relacionado com assuntos do coração que, decidamente não vou descrever aqui.
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