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"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Desculpa. Sim, agora começo sempre por um desculpa. Desculpa por isso também, mas sinto que preciso de contar-te isto de outra maneira e, como sabemos, a minha maneira alternativa preferida é mesmo escrever. 
Durante o tempo em que "eu não fui eu" perdi muita coisa e ganhei também, algumas. É pena que a quantidade das perdas tenha sido maior que a dos ganhos, sinto-me culpada por isso, mas, como sabes também, a culpa não foi só minha. A verdade é que durante a árdua contagem dos meses fui-me perdendo aos poucos. Hoje, tenho a certeza que alguns estragos foram irreparáveis. Por exemplo, a confiança, a parte que mais te custa que eu não tenha em ti. Até parece que não tenho nenhuma; tenho, tenho muita. No entanto, tenho sempre tendência para ficar com um pé atrás em relação a assuntos sentimentais e do género. É muito difícil para mim ter incondicional confiança nesse tipo de afirmações, confesso e tu já sabias isto. 
Naquela altura mandei-me de mergulho, atirei-me pela montanha abaixo sem olhar para trás, sem sequer ouvir o que tinham para me dizer, fui em busca do que mais me fazia falta, do que era diferente para mim. E tudo se resumiu a uma queda preparada e planeada, mas não por mim; para mim. Quando penso muito nisso até me sinto usada, coisa que não fui, não fui. Quando toquei no fundo, senti que pelo caminho tinha deixado parte vitais, virtudes, mas também aprendi muita coisa. Lá está, aprendi a não confiar demais nas pessoas, por muito que me apetecesse ou por muita confiança que achasse que merecessem. Tudo isto está presente em mim, e só não quero passar pelo mesmo, só não quero voltar a cair e ter que me levantar mais uma vez. Isso não, por favor. 
Por outro lado, aquilo que vivo agora, nada, ou quase nada tem que o relacione com o anteriormente vivido. Estão à mesma distância a que está uma palavra de um livro, uma árvore de uma floresta. É igual.
Agora sou feliz. Naquela altura apenas conheci a felicidade, pedi-lhe o número mas ela nunca mais me ligou; agora resolveu voltar, e eu já não sei viver sem ela.

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