Acho que o ser humano tem uma tendência natural para contrariar o que está a sentir. Quando está realmente feliz relembra muitas vezes os momentos em que estava mal, em baixo, e vice-versa. Nas alturas tristes da vida, passam-nos pela cabeça milhões de imagens de pessoas felizes, imagens essas que naquele momento não conseguimos concretizar. Não percebo o porquê deste facto, mas também me acontece.
Lembro-me muitas vezes dos meses em que não me conhecia, em que tentava ser quem não era para voltar a ter quem queria. Hoje sei que foi uma parvoíce. É bem melhor quando alguém gosta de mim como eu sou, sem tirar nem pôr. Isso sim é gratificante. Mas naquela altura eu não pensava assim, achava que só eu tinha o dever de mudar, de me adaptar às vontades de alguém. E adaptei, em alguns aspectos cheguei a conseguir, cheguei a impor a mim própria as rotinas e frases habituais que ele gostava de ouvir. Tudo isto não quer dizer que andei um Verão inteiro a implorar que ele voltasse, que nós voltássemos, não. Nunca fiz isso. Apenas gostava de estar onde ele estava, gostava de falar com ele, de vê-lo. Foi uma fase tão triste da minha vida, sinceramente. Só ele importava e esqueci-me de mim própria. Foram meses de grande mudança na minha personalidade, na minha maneira de ser. Ainda hoje sinto essas mudanças a florescerem em mim. Mas, felizmente, já nada é como era. Tudo o que eu sentia a mais por ele desapareceu e agora somos só amigos. Orgulho-me que tudo tenha acabado assim, mesmo que só tenha acontecido muitos meses depois do final propriamente dito.
E agora? Agora é tudo diferente. Agora sou muito feliz. Tenho quem gosto do meu lado e espero que este Verão compense o do ano passado, sinceramente. De certeza que sim. Eu prometi e o B também.
Sem comentários:
Enviar um comentário