A minha foto
"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

sábado, 6 de fevereiro de 2010

"Não sentes que por vezes é tudo tão perfeito que te achas incapaz de alterar seja o que for? Que mantinhas todos os dias e todas as noites tal e qual? E que lá no fundo sabias que uma felicidade deste tamanho, que rebenta por todos os teus poros, que te ilumina, que te dá um novo sorriso, nunca duraria para sempre? Não querias pensar nisso. Nem eu. Pensavas que nunca acabaria, que nunca terias que passar por isso. E agora foste ao fundo e para mais baixo não dá. O interruptor da felicidade desligou-se para ti, acabou. E passas os dias a pensar no que fizeste para o ligares, pensas e não consegues encontrar nada diferente daquilo que és hoje em dia. É como quando a luz se apaga em todo o lado. Chegamos à janela e vemos que toda a gente ficou sem luz. Interiormente ficamos contentes porque o mal não nos aconteceu só a nós. Neste caso é uma experiência solitária. Se chegares à janela verás que todos estão felizes, todos têm o que procuraram e parece-te que foi sem esforço algum. Eles têm luz, tu (e eu) não. Já não dormes, já nem te preocupas com o que pareces aos olhos dos outros, aqueles a quem chamavas amigos. O teu círculo de meros conhecidos aumentou. Agora sentes que és só tu, a mágoa, a vergonha e a impotência. Querias ter feito mais qualquer coisa, uma vírgula, não um ponto final. Concordaste, choraste e afundaste.
Hoje, pouco te importa o que pensam, se estás bem, se estás mal. Já não vale a pena. A única pessoa que amaste verdadeiramente precisou de espaço, e tu, claro, deste-lhe tudo. Se ele te pedisse a tua vida, não lha darias? É de fácil resposta. Aprendeste a viver com o pouco que ele te dá. Um sorriso, uma piada, meras estúpidas e insuficientes coisas. Uma pessoa como tu, activa, criativa, inteligente, aprendeu a ficar quieta, a suportar, a aguentar tudo o que ele quer? Desiludiste-me. Eu pensava que tu (eu) eras forte."
 
05-09-09, há quatro meses (e está tudo na mesma, ou quase)

2 comentários:

inês teixeira disse...

ias-me deixando a chorar com este texto

Patrícia Véstias disse...

preserva o que sentes .