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"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ok, a minha escrita criativa vai (re)começar:

Era Fevereiro e estava tanta frio que não me apetecia levar da cama. Quando estamos assim enroladinhos nos lençóis o tempo passa de uma maneira estranha, pelo que nesse dia nem me apercebi bem o que aconteceu. Estava a chover e o vento batia com força na minha janela, fazendo-a gritar de frio. Eu, egoísta, deixei-me estar sossegada a pensar. Tinha tanta coisa planeada para esse dia, mas ainda era tão cedo... Quando deixo que os meus dias se encham de tantos afazeres, sinto sempre pré-ansiedade, nervoso miudinho o que me estraga a cabeça com uma semana de antecedência. Nem quieta conseguia estar e já nem sabia qual o lado da almofada que mais gostava - direito, sempre. Pensei em levantar-me quatro vezes seguidas mas sem sucesso aparente; até que sim, desisti e pensei "Ganhaste, aqui vou eu!". Calcei as pantufas mais quentes que alguma vez ousaram pisar os meus tapetes e fui abrir um bocadinho a janela. Encostei a pontinha do nariz ao vidro e respirei; imediatamente tudo ficou molhado, quente em contraste com o que se passava lá fora. "Ainda neva e é desta que visto o meu casaco impermeável novo.", pensei. Dei um passo para trás e fiquei sentada na minha cama a observar o bonito dia - eu gosto de dias assim, de chuva, transmitem-me calma - que se vivia lá fora. O tempo continuava a passar devagar; quando olhei para o relógio eram já nove e meia. Tinha combinado ir beber café com o E. às onze. "Ok, ainda não estou atrasada, milagre."
Ultimamente, estes momentos de reflecção repetiam-se diariamente e por vezes até mais que isso. Sabiam-me bem, quase tão bem como quando o E. me abraçava e me sussurava ao ouvido "Amo-te.".
Era dia catorze de Fevereiro, o tão famoso dia de São Valentim - o piroso dia dos namorados. Discordo desta tradição parva. O dia dos namorados devia ser todos os dias, e é, pelo menos para mim é. Para mim e para alguém que ama a sério, e que tem, como objectivo de vida, fazer o outro feliz; tão ou mais feliz do que a si próprio.
A seguir ao duche, acontecia mais um episódio da série "O que vestir hoje?". Eu era viciada neste série infelizmente. É um problema só meu, ou ninguém sabe o que vestir de manhã? Que drama. Claro que acabei por em decidir, como acontecia todos os dias. Naquela manhã decidi-me por umas calças de ganga azul justas e por uma camisola de gola alta branca, como a neve; as botas e o casaco pretos e a mala do costume. Peguei na chave e entrei no elevador.
Olhei-me ao espelho e pensei "Até aqui tudo muito bem."
À medida que o elevador descia em direcção à base do edifício, um mau pressentimento começou a assolar-me o espiríto; e foi então que...

... continua.

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